Dislexia: Intervenção Pedagógica Diferenciada

Super User

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Winston Churchill (1874-1965)

Um dos mais famosos políticos do século XX, foi primeiro-ministro do Reino Unido durante a II Guerra Mundial, entre 1940 e 1945, liderando o seu país num confronto duríssimo e de início solitário contra a Alemanha nazi, que chegou a controlar mais de metade da Europa. Soube mobilizar os seus compatriotas na resistência à ofensiva totalitária com discursos épicos como aquele em que garantiu: “Nunca nos renderemos.” A sua tenacidade, admirada até por inimigos, deu bons frutos: os britânicos acabaram por sair vitoriosos do maior conflito bélico que o mundo já conheceu. Além da política, dedicou-se à escrita: em 1953 foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura.
Era disléxico

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Charles Darwin (1809-1882)

Naturalista, biólogo e viajante britânico, célebre pelas suas expedições a paragens longínquas – como as Ilhas Galápagos, no Oceano Pacífico – que lhe permitiram estudar em pormenor os hábitos de espécies desconhecidas na Europa. De regresso a Inglaterra, publicou uma das obras que mais influenciaram a ciência dos últimos dois séculos: A Origem das Espécies (1859), em que disserta sobre a adaptação dos animais ao meio ambiente, introduzindo a teoria da selecção natural a partir de um ancestral comum – incluindo o próprio homem, “aperfeiçoamento” de outros primatas. Apesar de ter suscitado polémica, esta teoria serviu desde então para explicar a diversidade das espécies naturais e a própria evolução humana.
Era disléxico

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O Seu filho/aluno é disléxico?

Pergunta Sim Não
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Dúvidas

Boa noite Doutora Helena

…..

Escrevo-lhe mais uma vez a pedir a sua preciosa opinião e ajuda.

Fui contactada por uma mãe cujo filho com dislexia frequenta o 9º ano e que como tal vai irá realizar em Junho os exames nacionais.

O problema é que apesar da contínua insistência dos pais junto dos professores no sentido de verificarem se não existiria algum problema, apenas no 8º ano lhe foi diagnosticada dislexia. Agora na escola, quando os pais procuraram saber que medidas poderiam ser tomadas para que não fosse prejudicado nos exames nacionais, foram informados que de acordo com a legislação (despacho normativo nº 10/2009, ponto 18.3), os alunos só podem ser referenciados, de modo a não serem penalizados nos exames nacionais, se a dislexia for diagnosticada e confirmada até final do 2º ciclo do ensino básico.

Conhece alguma outra estratégia/ fundamentação que estes pais possam alegar para reverter a situação?

Envio-lhe em anexo a referida lei. Eu sou professora no sector privado e há muito tempo que não estou a par destes procedimentos, fiquei bastante surpreendida ao ler o despacho normativo, parece-me incompreensível que quem já foi prejudicado por um diagnóstico tardio, seja ainda penalizado por esta lei no exames, contudo não sei o que poderão estes pais fazer.

Agradeço-lhe mais uma vez,
…….


Resposta

O que eu recomendo nestes casos:

Fazer um Memorando / Historial sobre o que no 1.º e 2.º ciclos já se observava quanto às dificuldades do aluno (erros, apoios, relatórios existentes, actas, exercícios, etc. que ainda têm na família nos quais as dificuldades sobressaem, e, com base nele, apresentar Requerimento (juntar informação actual do D.T. e dificuldades que existem...) e aí requerem (os pais + o D.T.) que apesar de não ter sido organizado em devido tempo o processo do aluno que fundamentaria a sua condição de disléxico, as dificuldades já existiam e foi falha da Escola...

Isto costuma ser bem recebido e aí os direitos ainda ficam salvaguardados...

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Testemunhos

António Pedro

“Cresci a ouvir comentários alheios sobre a minha dislexia severa, os quais oscilavam entre a minha falta de inteligência e o meu excesso de preguiça! Nenhum deles corresponde à realidade, e a melhor prova disso foram os meus resultados nos exames nacionais do 11º ano, nas disciplinas de Física e Química A e Geometria Descritiva A, onde obtive 20 valores, em ambos os exames, fruto de muito empenho e foco.

Felizmente, tenho a sorte que muitos disléxicos não têm: professores que me apoiam e respeitam, e pais que sempre acreditaram em mim, apoiando-me e incentivando-me para que atinga os meus objetivos.

Para todos os que são desvalorizados só vos peço para acreditem em vocês mesmos, que com esforço e dedicação conseguem alcançar os vossos objetivos, quaisquer que estes sejam.”

António Pedro, 17 anos

Lisboa, 1 de outubro de 2020

Professora de Educação Especial Fala da Sua Dislexia

Boa noite,
Queria dizer-lhe que sou professora de educação especial, Também sou dislexica e toda a minha família tem a mesma característica. Os meus dois filhos também são dislexicos. Fiz o meu curso de magistério primário em 1988 e desde essa altura tenho tido sempre o máximo cuidado em lidar com crianças dislexicas Quando apareceram meus filhos resolvi fazer 2 pós graduações: uma em comunicação e linguagem e outra em cognitivo e motor. É na 1ª que se engloba a problemática das disçexias. Nunca deixei sinalizar meus filhos porque naquela altura ficavam rotulados. Uma criança dislexica é uma criança extremamente inteligente, daí a facilidade que a essas crianças têm nas outras áreas. Não concordo com a medicação com arritalina Estas crianças precisam de muito amor, muita paciencia , muita dedicação e acima de tudo promover-lhes uma grande auto estima.Valorizar tudo o que fazem de bom. A dislexia deixou de ser contemplada pela educação especial, por isso eu aconselharia os pais de crianças dislexicas a procurarem uma professora de educação especial, mas que seja de confiança e que trabalhe particularmente. A dislexia é provocada por uma pequena disfunção do nosso cérebro e temos de o exercitar para que a zona responsável pela leitura e pela escrita deixe de ser "preguiçosa" Há alguns exercícios que poderão ser aplicados às crianças para as ajudar.e acima de tudo devemos valorizar tudo o que fazem, ainda que seja uma coisa com pouco significado. O mais importante é que as crianças sintam que apesar de terem alguma dificuldade também são capazes de progredir e ser bons no que fazem.

bom ano para todos
Fernanda Joaquim

Personal Trainer narra o seu percurso pela Dislexia

Boa noite,
Devem receber milhões de e-mails a dizer o mesmo, mas acho que gostaria de deixar o meu testemunho.

Desde muito cedo que tive dificuldades em acompanhar o ritmo para o que se esperava de uma criança naquelas idades. Comecei a falar um pouco mais tarde do que o normal e até muito tarde tinha dificuldade em dizer certas palavras como Crato " Carto" e outras mais que me faziam sentir menos inteligente, principalmente porque tinha um irmão e uma prima da minha idade que eram simplesmente o inverso de mim, mega inteligentes, não estudavam e tiravam grandes notas, etc.

Sempre fui muito dedicada aos estudos e sempre tive muito apoio familiar o que fazia com que até ao meu 6ºano tivesse média de quatros e cincos, tirando claro a português que normalmente ficava sempre no 3. A minha leitura era péssima e em ditados conseguia ter 5 a 6 erros por linha...

Com o tempo e apesar de toda a minha dedicação havia coisas que não se alteravam, tinha sempre grandes dificuldades na escrita e na leitura. Com a introdução de Línguas como Inglês e Francês tudo começou a piorar ainda mais.

No 8ºAno foi a catástrofe total (para mim claro) tinha tirado as minhas primeiras negativas (Português e História). A minha família achou por bem colocar-me numa explicadora de Português fora da escola já que todas as professoras diziam que era distraída e que escrevia e interpretava muito mal o português.

As minhas notas ficaram estáveis. Tudo positivo, 3 a tudo o que implicava escrita e 5 a tudo o que tivesse matemática, desenho e actividade Física. Acredito que me refugiava no que me dava segurança e confiança.

No meu 10ºAno e tendo sempre explicações de Português 3 vezes por semana durante estes 3 anos a minha própria explicadora pediu-me que fosse a uma psicóloga para ver se tinha dislexia, porque pelo que ela tinha lido eu tinha muitos "sintomas". Na primeira vez que me disse isso senti-me ofendida, até mesmo inferior. Apesar de ela me ter explicado o contrário e até me ter tentado motivar dizendo que grandes génios das ciências também o eram isso não foi suficiente para me deixar bem.

Apesar de tudo, e como nunca fui de me negar a nada,  falei com a minha mãe que achou muito bem e fui fazer o exame. A psicóloga era dislexia também o que me fez ficar bem mais segura. Apesar de tudo nada nos impede de alcançar patamares mais altos.

Fui então diagnosticada com dislexia em 1998/1999, no meu 10ºAno. Segui o 10ºano e 11ºano sem problemas e sem grandes necessidades de ajudas, mas mantive a minha explicação de Português (não escrevo muito bem, mas já consigo escrever um texto com alguma logica, algo que no inicio era impensável) e tinha direito a mais 30 min nos testes caso precisasse.

Durante este tempo fui sempre acompanhada na escola (Escola Arco-íris da Portela de Sacavém) por uma psicóloga que sabia o que era a dislexia e sempre me apoiou (na minha parte da autoconfiança que acredito que até hoje continue a ser algo difícil de ter).

Segui para a faculdade, segui Eng.Civil e cheguei ao 4ºano no IST. Desisti porque percebi que não era aquilo que pretendia. Adoro desporto e era isso que pretendia fazer. E assim foi. Parei um ano e inscrevi-te novamente na faculdade, desta vez de Desporto onde estou agora a concluir.

Tenho 30 anos, sou professora de Capoeira, Instrutora de Cardio-Fitness, Spinning  e Personal Trainer. Pratico alem destas actividades Jiu-Jitsu Brasileiro, Kick-Boking e Surf.

Não posso dizer que tenha sentido muito a discriminação, porque apesar de eu própria me criticar e de me inferiorizar todos os meus amigos, famílias e professores me apoiaram muito e como tal sempre ultrapassei os meus problemas.

Continuo com dificuldade básicas, como detectar erros meus em mails, poster promocionais, cartas. Sinto-me incapaz de falar em publico o que durante apresentações de capoeira tenho que o fazer e a mais marcante é sem duvida a incapacidade de diferenciar a esquerda da direita.

No meu exame de código pedi ao examinador que me indicasse com as mãos para onde queria que virasse já que tinha grandes dificuldades. Riu-se e em todas as curvas dizia esquerda ou direita e apontava para que me orientasse.

Os meus amigos já sabem quando vou a conduzir se quiserem que vire dizem, "para o meu lado" ou "para o teu lado". E na realidade já nem notam que o fazem. A capoeira tem uma vertente social MUITO forte o que me ajudou a ultrapassar algumas dificuldades que tinha.

Em frente a um espelho quando dou aulas de capoeira e tenho que dizer perna esquerda/direita atrás, digo. Perna com logotipo / sem logotipo atrás. E todos brincam mas todos respeitam e acho que isso é o mais importante.

Não me sinto mal de forma alguma e sei que é bastante leve para o que leio sobre o assunto. Sei também que tive muito apoio na parte mais importante da minha formação o que me fez não perder a confiança de que eu era capaz.

Tem dias que tudo corre mal, e que parece que tive um surto de estupidez, o que me atira um pouco abaixo, mas respiro fundo e penso amanhã é outro dia! Tenho tudo para ser feliz!

Acho que termino aqui a minha história. Nunca tinha escrito nada nem nunca tinha pensado bem no meu percurso até hoje. Por algum motivo não consigo dormir e fui parar ao vosso site e decidi escrever o meu testemunho.

Cumprimentos
R

Vitor Rossi Santos

A dislexia é uma barreira que é ultrapassável. É só você acreditar”

Testemunho

Se a escolha do curso de medicina para o vestibular e o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) assusta os candidatos pelas horas de estudo e preparo antes das provas, para quem se descobre disléxico o caminho pode ser ainda mais tortuoso. Mesmo assim, o jovem Vitor Rossi Santos, de 19 anos, resolveu superar todas as dificuldades colocadas pela dislexia e se tornar um médico. "Toda a minha família trabalha na área da saúde e eu vi que aquilo lá é para mim. É o que eu quero mesmo, e desde pequeno é assim. Quando perguntavam para mim, eu já respondia que queria ser médico", diz.
Para isso, Vitor sabe que terá que enfrentar cada linha que tiver que ler ou escrever neste sábado (8) e domingo (9), quando prestará o ENEM em Mogi das Cruzes (SP), cidade onde mora. Além disso, a maratona neste fim de ano inclui mais 10 vestibulares de faculdades particulares, ou seja, mais horas de provas, mais leitura e escrita.

Enunciados grandes, textos compridos e a temida redação assustam ainda mais Vitor por causa da dislexia. Segundo a psicóloga e psicopedagoga Fátima Cavenaghi, quem tem o distúrbio tem dificuldade com a leitura e a escrita. "Dislexia é um distúrbio de aprendizagem na área da leitura, escrita e soletração. Pesquisas realizadas em vários países mostram que cerca de 10% a 15% da população mundial é disléxica", explica.

Vitor foi diagnosticado aos 7 anos, quando descobriu que havia repetido na escola. "Foi quando eu repeti de ano. Eu estava na primeira série e tinha uns 7 anos mais ou menos. Repeti e aí minha mãe foi querer saber o que aconteceu. Ela via que eu estudava, então ela percebeu que tinha algo errado. Foi aí que a gente começou a ir atrás para descobrir o que era", se lembra.

De acordo com a psicopedagoga Fátima, o diagnóstico na infância é fundamental para o aprendizado da pessoa. "Se o disléxico não for submetido a uma intervenção especializada, ele pode se permanecer analfabeto ou semi-analfabeto, sendo excluído de profissões e vocações que necessitem de uma preparação acadêmica", explica.

"Quando eu era menor mesmo, quando a dislexia de fato era grande, eu sofria demais", se lembra Vitor. "A dislexia vai perdendo seu nível, ela não se mantém constante. Por isso quando eu fiz o teste de dislexia, ela era grande. Mas agora ela caiu para leve. E hoje em dia eu ainda tenho um problema com a parte de leitura e tudo mais, mas bem menos que antes", ressalta.

Vitor, no entanto, ainda teme as questões do Enem relacionadas ao português. "Eu tenho muita dificuldade em português principalmente, né? Desde pequeno eu sempre evitei essa matéria. Eu estudava horas com uma professora e no dia seguinte tirava nota baixa. Então era um desânimo absurdo com português e na hora que fui querer aprender, vi que era uma disciplina que eu não tinha nem base", explica.

De acordo com a psicopedagoga, é comum o disléxico ficar frustrado na escola. "O jovem disléxico muitas vezes traz um sentimento construído socialmente de 'não leitor ou não escritor'. O pensamento que geralmente ocorre nessa situação é 'não gosto de escrever, não quero aprender'", diz.

Superação

Mesmo com as dificuldades, Vitor prestou o Enem e alguns vestibulares em 2013 e ficou feliz com o resultado. "Tomara que daqui a alguns dias, no Enem, eu me supere mais uma vez, como aconteceu na redação do ano passado", diz confiante. "Na redação do ano passado do Enem eu fiz 760 pontos, algo que me deixou orgulhoso e deixou meus pais também orgulhosos de mim". Vitor conta que com essa nota conseguiria entrar em geografia em uma faculdade federal do Rio de Janeiro. "Mas não adianta, né? Eu quero medicina. E mesmo se eu conseguir algum outro curso esse ano, também não vou. Vou estudar mais um ano para medicina", afirma.

Estudante diz que hoje lida bem com a dislexia

O jovem diz que não esquece o caminho que trilhou. "Eu acho assim, eu lutei muito para conseguir. Não é fácil, principalmente quando você é pequeno e não vê resultados nas provas da escola. Você estuda acima do normal e sua nota não é tão boa quanto a das outras pessoas. Só que eu tive muitos apoios e agora estou tendo resultados, né?", diz feliz. Segundo ele, a redação no Enem não foi o único motivo de orgulho da família. "Em uma faculdade no ano passado eu quase consegui entrar para medicina. Foi por pouco, acho que se eu acertasse mais um teste, talvez eu conseguisse entrar também".

ENEM

Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep), as pessoas que têm o distúrbio podem pedir uma hora a mais em cada dia de prova, auxílio ledor e auxílio transcritor. O Ministério da Educação (MEC) não tem dados quanto ao número de disléxicos inscritos para o Enem 2014, no entanto, afirmou que cerca de 5,7 mil pessoas pediram o auxílio ledor - mas neste número também estão inclusos outros distúrbios e deficiências. Vitor preferiu pedir apenas a hora a mais para fazer as provas. "Eu consegui uma horinha a mais nos dois dias para fazer a prova. Nos outros vestibulares que me inscrevi também pedi. Isso é extremamente legal, né? Esse reconhecimento e tudo. Porque uma hora a mais simplesmente ajuda demais", diz. "Eles ofereceram os auxílios ledor e transcritor, mas eu não quis. Prefiro fazer sozinho mesmo por eu já ter treinado assim desde pequeno. É que essa política de poder ler com alguém do lado é muito recente, então eu sempre tive que treinar sozinho", explica. Se o disléxico não for submetido a uma intervenção especializada, ele pode se permanecer analfabeto ou semi-analfabeto"

Fátima Cavenaghi

O estudante conta que tem medo do modelo de prova do ENEM. "O ENEM é uma prova que eu tenho que te tentar me controlar emocionalmente, porque é uma prova que querendo ou não me assusta muito. Eu acho o Enem difícil para mim por causa da interpretação de texto e da redação. Mas tomara que eu me supere", diz. Apesar de achar que a prova é difícil, Vitor promete se dedicar ao máximo. "Eu prestarei o Enem e eu prestarei para medicina. Entrarei com tudo nessa prova e eu acho que posso ter capacidade para conseguir. Por eu ter superado tantas coisas, dá para eu superar mais essa.

Estudo

Vitor reconhece que ainda tem uma grande estrada pela frente e, para alcançar seu objetivo que é entrar em um curso de medicina, estuda 13 horas por dia de segunda a sexta. "A rotina de estudo é pesada, tenho aula do cursinho todo dia e na parte da tarde faço aulas de redação", diz. "Estou há um ano no cursinho pré-vestibular. Os meus estudos começam às 7h no cursinho e terminam em média umas 20h. De sábado vou das 7h às 13h. Só tento tirar o domingo para descansar", explica.

Para conseguir estudar medicina, o jovem abriu mão da academia, do futebol e da balada com os amigos. "Se você quer medicina tem que ser o mais perfeito possível. Qualquer coisa que te atrapalhe vai ter uma consequência na sua nota final", diz. Vitor tem medo de ficar muitos anos nos cursinhos preparatórios. "Tem gente que tenta por muitos anos e isso dá um desespero, né? As vezes eu penso, será que eu vou ficar tentando e tentando. Mas os resultados do ano passado mostram que estou no caminho certo", conclui.

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A CAMPANHA “Disléxicos como nós”

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A dislexia é uma perturbação mais frequente do que se pensa

10% da população

Mundial

1 em cada 10 pessoas não consegue ler fluentemente

5% da população

em portugal

sofre desta perturbação de aprendizagem específica

48% das

crianças

com necessidades educativas especiais são afectadas

Não se relaciona com falta de trabalho, de atenção ou de inteligência. Com métodos de ensino apropriados e direcionados, a dislexia pode ser contornada.
Associe-se a esta causa!

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Artigos e Bibliografia sobre a Dislexia

2016

Olander, M. H, Brante, E. W. & Nyström, M. (2016). The Effect of Illustration on Improving Text Comprehension in Dyslexic Adults. Leia o artigo aqui | Tradução

Aguiar, T. (2016). Dificuldades de aprendizagem da matemática e memória de trabalho - Laboratório de Neuropsicologia do Desenvolvimento

Kuppen, S. E. A. & Goswami, U. (2016). Developmental Trajectories for Children With Dyslexia and Low IQ Poor Readers. Leia o artigo aqui | Tradução

Lopes-Silva, J. B, Moura, R., Júlio-Costa, A., Wood, G., Salles, J. F. & Haase, V. G. (2016). What Is Specific and What Is Shared Between Numbers and Words? Frontiers in Psycology. Leia o artigo aqui | Tradução

Horowitz-Kraus, T. (2016). Improvement of the Error-detection Mechanism in Adults with Dyslexia Following Reading Acceleration Training. US National Library of Medicine National Institutes of Health, Dyslexia. 2016 May;22(2):173-89. doi: 10.1002/dys.1523. Epub 2016 Apr 13. Leia o artigo aqui | Tradução

Marinus E., Mostard M., Segers E., Schubert TM., Madelaine A. & Wheldall K. (2016). A Special Font for People with Dyslexia: Does it Work and, if so, why? US National Library of Medicine National Institutes of Health, Dyslexia. 2016 Aug;22(3):233-44. doi: 10.1002/dys.1527. Epub 2016 May 19. Leia o artigo aqui | Tradução

2014

Flach, N., Timmermans, A. & Korpershoek, H.(2014). Effects of the design of written music on the readability for children with dyslexia. International Journal of Music Education published online 27 August 2014.

Sela, I., Izzetoglu, M., Izzetoglu, K. & Onaral, B. (2012). A Functional Near-Infrared Spectroscopy Study of Lexical Decision Task Supports the Dual Route Model and the Phonological Deficit Theory of Dyslexia. J Learn Disabil 2014 47: 279 originally published online 12 July 2012.

Tops, W., Callens, M., Bijn, E. & Brysbaert, M. (2014). Spelling in Adolescents With Dyslexia: Errors and Modes of Assessment. J Learn Disabil, 2014 47: 295 originally published online 20 December 2012

2013

Almeida A. Psicomotricidade: Jogos Facilitadores de Aprendizagem. Psicosoma: Viseu.

Almeida, A.; Serra, H.; Gonzalez, J.; Aprender a ler a escrever com o corpo: quando surgem dificuldades. Revista da Pró-Inclusão: Associação de Docentes de Educação Especial: Educação Inclusiva, Vol.4, nº 2, 8-18.

Beaulieu, J. (2013). Productivité de manuels scolaires adaptés pour élèves ayant deux années de retard en lecture. Tese apresentada à Faculté des Études Supérieures para obtenção do grau de Doutor em Ciências da Educação, opção Psicopedagogia (Texto inédito). Ver Artigo | Ver Resumo Artigo

Casalis, S., Leuwers C. & Hilton, H. (2013) Syntactic Comprehension in Reading and Listening: A Study With French Children With Dyslexia. J Learn Disabil 2013 46: 210 originally published online 18 June 2012.

Ravid, D. & Schiff, R. (2013). Different Perspectives on the Interface of Dyslexia and Language: Introduction to the Special LLD Issue on Dyslexia and Language. J Learn Disabil 2013 46: 195.

2012

Almeida, F. Et al.. Viseu: Edições Esgotadas

Hämäläinen, J. A., Salminen, H. K. & Leppänen, P. H. T. (2012). Basic Auditory Processing Deficits in Dyslexia: Systematic Review of the Behavioral and Event-Related: Potential/ Field Evidence. J Learn Disabil 2013 46: 413 originally published online 8 February 2012

2011

Almeida, M. F. F. F.. A Compreensão da leitura em alunos disléxicos: proposta de intervenção para o 3.º ciclo e para o ensino secundário. Viseu: Universidade Católica Portuguesa (Inédita).

Helland, T., Tjus, T., Hovden, M., Ofte, S. & Heimann, M. (2011). Effects of Bottom-Up and Top-Down Intervention Principles in Emergent Literacy in Children at Risk of Developmental Dyslexia: A Longitudinal Study. J Learn Disabil 2011 44: 105.

2010

Clercq-Quaegebeur, M., Casalis, S., Lemaitre, M. P., Bourgois, B., Getto, M. & Vallée, L. (2010). Neuropsychological Profile on the WISC-IV of French Children With Dyslexia. J Learn Disabil 2010 43: 563 originally published online 8 July 2010.

Hanly, S. & Vandenberg, B. (2010). Tip-of-the-Tongue and Word Retrieval Deficits in Dyslexia. J Learn Disabil 2010 43: 15 originally published online 3 August 2009.

Tunmer, W. & Greaney, K. (2009). Defining Dyslexia. J Learn Disabil 2010 43: 229 originally published online 15 October 2009.

2009

Almeida, A., Pinto, E. “A educação inclusiva e a criação de espaços democráticos”, in A Voz de Ermesinde

Almeida, A., Pinto, E. “Incluir na escola”, in A Voz de Ermesinde

Cruz, V. (2009). Dificuldades de Aprendizagem Específicas. Lisboa-Porto: LIDEL

Begeny, C., J. (2009).A One-on-One Program Designed to Improve Students’ Reading Fluency - Teacher’s Manual. Leia sobre este programa aqui.

2008

Rocha, B. P. (2008). A Criança Disléxica. Lisboa: Fim de Século.

Shaywitz, S. (2008). Vencer a Dislexia: Como dar resposta às perturbações da leitura em qualquer fase da vida. Porto: Porto Editora.

Serra, H. & Alves, T. O. (2008). Dislexia – Cadernos de Reeducação Pedagógica 4 - Cadernos de Reeducação Pedagógica. Porto: Porto Editora.

Serra, H. & Alves, T. O. (2008). Dislexia – Cadernos de Reeducação Pedagógica 5 - Cadernos de Reeducação Pedagógica. Porto: Porto Editora.

Serra, H. & Correia, A. (2008). Dislexia – Cadernos de Reeducação Pedagógica 6 - Cadernos de Reeducação Pedagógica. Porto: Porto Editora.

Almeida, A. (2008). A Dislexia em diagnóstico num espaço inclusivo do 1º Ciclo, em Portugal.

Almeida, A. (2008). Ensino da leitura e estratégias de aprendizagem para crianças com dislexia em contexto de sala de aula.

Kirby, J. R., Silvestri, R., Allingham, B. H., Parrila, R. & La Fave, C. B. (2008). Learning Strategies and Study Approaches of Postsecondary Students With Dyslexia. J Learn Disabil 2008 41: 85

2006 Processamento auditivo e spect em crianças com Dislexia
2005 Teles, P. & Machado, L. (2005). Dislexia: Método Distema – Leitura de Palavras e Frases. Lisboa: Editora Distema.
2003

Hennigh, A. K. (2003). Compreender a Dislexia. Porto: Porto Editora.

Shaywitz, S. (2003). Entendendo a Dislexia – Um novo e completo programa para todos os níveis de problemas de leitura. Porto: Porto Editora.

Outros textos:

Dislexia desenvolvimental: défice fonológico específico ou disfunção geral sensório-motora?– link para http://cogprints.org/4522/1/CONB02.pdf

2002 Heróis de dislexia desenvolvimental: percepções a partir de um estudo de caso múltiplo de disléxicos adultos
2000 Castro, S. L. & Gomes, I. (2000). Dificuldades de Aprendizagem da Língua Materna. Lisboa: Universidade Aberta.
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Materiais Adaptados

Como fazer o adobe reader ler textos em voz alta

Veja como utilizar o recurso text-to-speech do Adobe Reader, capaz de ler textos de arquivos PDF em voz alta. Para transformar as informações de texto em voz, o programa utiliza as vozes disponíveis no sistema – no Windows, a opção padrão é a Microsoft Anna – English (USA).

Apesar das limitações, o recurso de leitura em voz alta é uma ótima opção para pessoas que compreendam bem o inglês e não gostem (ou tenham dificuldades) de ler no computador.

Outras Sugestões para Conversão de texto em fala

A categoria "Conversão de Texto em Fala" apresenta análises de profissionais completas de softwares de conversão de texto em fala gratuitos e pagos para download.

O Fantasma de Canterville (primeiras pÁginas)

Ver

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Legislação de Interesse

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Avaliação Diagnóstica

A corretã identificação da Dislexia e dos fatores que estão na sua origem passa por uma avaliação estruturada que, segundo Torres e Fernandéz (2001), deve envolver as áreas neuropsicológica e linguística, já que a sua utilização conjunta permite avaliar tanto o comportamento (os défices na leitura) como os problemas associados a este.

A avaliação neuropsicológica permite conhecer a natureza do fracasso na leitura, recolhendo informação acerca das capacidades da criança que permita despistar uma possível origem comportamental ou disfunção neurológica. As principais áreas de exploração desta avaliação, segundo as autoras, são a perceção, a motricidade, o funcionamento cognitivo, a psicomotricidade, o funcionamento psicolinguístico, a linguagem e o desenvolvimento emocional.

A avaliação psicolinguística incide sobre os processos implicados na leitura, avaliando tarefas de vocalização, tarefas de decisão lexical, tarefas de decisão semântica e tarefas de processamento visual.

Além desta avaliação, a recolha prévia de informação de carácter desenvolvimental, educativo, médico e social permite um melhor enquadramento da situação de cada criança.

No quadro que se segue, fazemos um resumo das áreas de avaliação defendida pelas autoras, bem como do contributo de cada uma na identificação da Dislexia.

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  • A Percepção Visual e Auditiva;
  • A Motricidade;
  • O Funcionamento cognitivo;
  • A Psicomotricidade;
  • O Funcionamento psicolinguístico;
  • A Linguagem;
  • O Desenvolvimento emocional;
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  • Tarefas de vocalização;
  • Tarefas de decisão lexical;
  • Tarefas de decisão semântica;
  • Tarefas de processamento visual;

É pertinente uma análise mais pormenorizada a duas das componentes da avaliação neuropsicológica: a Motricidade e a Psicomotricidade.

A avaliação da Motricidade incide sobre aspetos de desenvolvimento motor e justifica-se, segundo as autoras, quando a criança manifesta dificuldade em copiar certas formas, apesar de não apresentar problemas de carácter percetivo. Nesta avaliação inclui-se o funcionamento cerebral e a dominância lateral.

Relativamente ao funcionamento cerebral, procuram-se, entre outros, indícios de disfunção neurológica através da observação de aspetos como:

  • Dificuldade em apoiar-se num só pé;
  • Problemas de equilíbrio ao caminhar;
  • Desarmonia e descoordenação nos movimentos voluntários de grande amplitude;
  • Movimento passivo nos braços e nas pernas;
  • Debilidade muscular ou hipotonia.
  • O segundo aspeto da avaliação da Motricidade, diz respeito à dominância lateral, a qual permite determinar preferências mistas ou mal definidas em tarefas de lateralidade. Este tipo de dificuldades aparece, segundo as autoras, com alguma probabilidade em crianças com dificuldades de leitura e de escrita, apesar de não se correlacionar com o rendimento noutras áreas escolares nem com o desenvolvimento intelectual.

A avaliação da Psicomotricidade reveste-se de grande importância, na medida em que os problemas ou défices na eficácia psicomotora dificultam a aprendizagem escolar. Neste domínio, as autoras consideram especialmente importante a informação respeitante ao esquema corporal e à orientação espácio-temporal, na medida em que a aprendizagem da leitura e da escrita assentam sobre uma adequada estruturação do primeiro, o qual, por sua vez, se relaciona com estreitamente com a segunda (ainda que nem todas as crianças disléxicas apresentam dificuldades motoras).

Para a compreensão destes possíveis défices é necessário saber se o sujeito manifesta dificuldades espácio-temporais e de orientação na sua análise do mundo exterior, em atividades como por exemplo, um jogo.

O ensino pré-escolar é, sem qualquer dúvida, crucial na prevenção do surgimento deste tipo de problemas, pois como referimos anteriormente, muitos dos sinais indicadores do desenvolvimento de uma Dislexia, ou do estado de prontidão para a leitura, surgem durante o período das aquisições pré-escolares. Muitos desses indicadores podem ser trabalhados, nomeadamente os aspetos psicomotores que estão nesta fase, em período ótimo do seu desenvolvimento.

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